Sejamos instrumentos nas mãos de Deus – III Domingo do Tempo Comum Ano A

No 3º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre o Projeto de Salvação e de Vida plena que Deus tem a oferecer à humanidade em todo o tempo.

Na passagem da Primeira Leitura (Is 8, 23b – 9,3), encontramos o anúncio, pelo Profeta Isaías, de que a luz de Deus brilhará por cima das montanhas da Galileia, eliminando toda a injustiça, sofrimento e desespero.

É um anúncio que comunica confiança, esperança e alegria, pois o povo está oprimido pelos inimigos, mas o Profeta exorta à total confiança e fidelidade em Deus.

O Profeta fala de uma promessa, descortinando os sinais de liberdade no horizonte. Deus cumprirá esta promessa.

O Apóstolo Paulo na passagem da segunda Leitura (1 Cor 1,10-13.17), convida-nos a reassumir os compromissos batismais, tendo em Jesus a verdadeira centralidade de nossa vida de fé, superando toda e qualquer forma de divisão, grupos dentro da comunidade, tudo fazendo para a promoção da concórdia e da unidade:

“A lembrança do seu Batismo deve levar os Coríntios a compreender que eles são de Cristo e somente de Cristo. A unidade da Igreja apoia-se na pessoa de Cristo e na Sua ação salvífica na Cruz.

Este reconhecimento requer de todos os crentes unanimidade de pensamento e de ação (cf. v. 10). A unidade apoia-se na confissão de fé em Cristo: sem esta base, a unidade da comunidade dos crentes fica comprometida nos seus fundamentos. Unidade, no entanto, não significa nivelamento do pensamento e uniformidade de opinião”. (1)

A vida cristã consiste em um encontro pessoal com Jesus Cristo, e em crer que somente n’Ele e com Ele e d’Ele nos vem a Salvação.

Tendo Jesus como centro, evitaremos tantos perigos que machucam e fragilizam a comunidade cristã, que deve ficar sempre atenta a um dos maiores perigos, as divisões.

Portanto, deve empenhar-se para viver como família, e todos devemos ter consciência de que somos simples instrumentos nas mãos de Deus.

A nossa adesão deve ser incondicional a Jesus, o único e verdadeiro Mestre. Ninguém é imprescindível, insubstituível e inamovível.

Deve ser banido da comunidade toda forma de culto da personalidade. Nela não há espaço para incensados ou endeusados. Adoração e incenso, devem ser somente para Deus.

Se trabalhamos numa Pastoral, vamos à Missa, fazemos um serviço na Igreja ou fora dela, o façamos em nome do Senhor Jesus e para Ele.Tudo o que fizermos não seja por alguém, tão pouco por causa de um padre, pois se assim o fizermos, há o perigo de estabelecermos um ponto final e abandono na primeira dificuldade encontrada.

Reflitamos:

– Qual a centralidade de Jesus em minha vida?

– Como nossa comunidade enfrenta e supera o perigo das divisões?

– O que faço para que a concórdia, unidade, comunhão seja um testemunho da presença de Jesus na comunidade?

Na passagem do Evangelho (Mt 4,12-23), vemos que Jesus é a plena realização desta promessa de Salvação para todos os povos: sobre a ação de Jesus, a luz começa a brilhar na Galileia, da periferia para o centro.

Jesus propõe a Boa Nova e começa a formar o Seu grupo de Apóstolos para que sejam enviados nesta alegre missão do anúncio da chegada do  Reino.

O anúncio da Salvação parte de uma região periférica, geralmente desprezada pelo paganismo, expressão da universalidade da Salvação de Deus para todos os povos.

O Evangelista Mateus, antes dos milagres, descreve o chamamento dos primeiros discípulos: Pedro e André, Tiago e João. Estes acolheram o chamamento e responderam com toda prontidão, sem hesitação, antes mesmo de compreenderem o real significado em termos de humilhação e grandeza, provação e alegria, Cruz e Ressurreição.

Há três ideias fundamentais nesta passagem em que somos chamados a contemplar o anúncio de Jesus e abismarmos nesta incrível história de Amor de Deus por nós: a salvação é universal;  a conversão é uma exigência indispensável (metanoia); o chamado para o seguimento, para o discipulado, é iniciativa divina e a resposta é livre e pessoal.

De fato, o Senhor chama a cada um de nós pelo nome, como chamou os primeiros discípulos e espera a nossa resposta. É preciso que deixemos em  segundo plano os afetos, as seguranças, os valores que consideramos para colocar a vontade e o Projeto de Deus acima de tudo e de todos.

No entanto, para que isto aconteça, é necessária a conversão, que nos possibilita maior liberdade e fidelidade na resposta que um dia demos ao Senhor.

Reflitamos:

 Quando foi o nosso encontro pessoal com Jesus?

–  Como este encontro tem determinado a nossa vida pessoal?

– Como discípulos missionários de Jesus irradiamos a Sua luz e alegria?

– Por que muitos cristãos não são alegres mesmo professando a fé em Jesus que é a divina fonte de alegria? Talvez por que o anúncio da alegria do Evangelho não tenha ainda descido na profundidade do coração?

Oremos:

“Ó Deus, que fundastes a vossa Igreja sobre a fé dos Apóstolos, fazei que as nossas comunidades, Iluminadas pela Vossa Palavra e unidas no vínculo do Vosso Amor, se tornem sinal da Salvação e de esperança para todos os que nas trevas desejam a luz. Amém!” (2)

(1)     Lecionário Comentado – Editora Paulus – p.108

(2)     Idem – p.111

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